Outubro 19, 2009

PRIMEIRO CAPÍTULO DE FÚRIA!



Olá, passageiros da sombra


Como prometido, eis o primeiro vislumbre de Fúria… à mercê das vossas garras e das vossas presas afiadas.

Queremos saber a que diabólicos transes de curiosidade e antecipação este primeiro capítulo vos levará. Digam-nos o que acharam, peçam-nos mais e, não se esqueçam – Fúria estará nas livrarias a partir de dia 24 de Outubro.


Capítulo Um


Elena penetrou na clareira.
Por debaixo dos seus pés, pedaços de folhas outonais congelavam-se na neve lamacenta. Escurecera, e embora a tempestade começasse a amainar, o bosque estava cada vez mais frio. Elena não sentia o frio.
Também não se importava com a escuridão. As suas pupilas abriram-se completamente, recolhendo partículas de luz que teriam sido invisíveis para um humano. Distinguiu com toda a clareza as duas fi guras que mediam forças sob o enorme carvalho.
Uma tinha uma cabeleira espessa e escura que o vento revolvera e convertera num agitado mar de ondas. Era ligeiramente mais alta do que a outra e, apesar de não conseguir ver -lhe o rosto, de alguma maneira soube que os seus olhos eram verdes.
A outra tinha uma mata de cabelos igualmente escuros, mas mais finos e lisos, quase como a pelagem de um animal. Os lábios estavam puxados para trás, mostrando os dentes com fúria, e a graça lânguida do seu corpo estava reunida na pose agachada de ataque de uma pantera. Os seus olhos eram negros.
Elena observou -os durante alguns minutos sem se mexer. Esquecera-se porque fora ali, por que motivo a luta que ecoava na sua mente a arrastara até ali. A tão pouca distância, o clamor da sua raiva, do seu ódio e da sua dor era quase ensurdecedor, como gritos silenciosos provenientes dos combatentes. Estavam envolvidos num combate até à morte.
Pergunto -me qual deles vencerá, pensou. Ambos estavam feridos e sangravam, e o braço esquerdo do mais alto pendia num ângulo antinatural. Contudo, acabava de empurrar o outro contra o tronco retorcido de um carvalho e a sua fúria era tão grande que Elena conseguia senti-la e saboreá-la, tal como ouvi-la, e sabia que estava a proporcionar -lhe uma força incrível.
E então Elena lembrou-se porque fora até ali. Como poderia tê-lo esquecido? Ele estava ferido. A sua mente chamara-a ali, fustigando-a com ondas expansivas de raiva e de dor. Ela tinha ido ajudá -lo, porque lhe pertencia.
As duas figuras estavam agora caídas no chão gelado, a lutar como lobos, grunhindo. Veloz e silenciosa, Elena foi até eles. O de cabelos ondulados e olhos verdes – Stefan, murmurou uma voz na sua cabeça – estava por cima, com os dedos a procurar desesperadamente a garganta do outro. A cólera inundou Elena, a cólera e uma atitude protectora. Estendeu o braço para eles para afastar aquela mão que tentava estrangular, para puxar aqueles dedos para cima.
Nem sequer lhe passou pela cabeça que não seria suficientemente forte para o fazer. Era bastante forte, e isso era suficiente. Lançou todo o seu peso para um lado, arrancando o cativo ao seu oponente. Por via das dúvidas, fez pressão sobre o seu braço ferido, derrubando o atacante de bruços sobre a neve lamacenta coberta de folhas. Depois começou a asfixiá-lo por detrás.
O seu ataque apanhara-o de surpresa, mas não estava de todo vencido. Devolveu o golpe, a mão sã a procurar às cegas a garganta da rapariga. O polegar enterrou-se na traqueia dela.
Elena deu consigo a lançar -se sobre a mão, indo direita a ela com os dentes. A sua mente não compreendia, mas o corpo sabia o que fazer. Os dentes eram uma arma e rasgaram a carne, fazendo o sangue correr.
Porém, ele era mais forte do que ela. Com uma violenta sacudidela de ombros, libertou-se dela e retorceu-se entre as suas mãos, atirando-a ao chão. E então foi ele a pôr-se em cima dela, com o rosto contorcido por uma fúria animal. Ela ciciou e lançou-lhe as unhas aos olhos, mas ele afastou a mão com um golpe.
Ia matá -la. Mesmo ferido, era de longe o mais forte. Os seus lábios afastaram-se para trás para mostrar dentes já manchados de escarlate. Como uma cobra, estava pronto para atacar.
Então, deteve-se, debruçando-se sobre ela, enquanto a sua expressão mudava.
Elena viu os olhos verdes a arregalarem-se. As pupilas que tinham estado contraídas em forma de ferozes pontinhos ampliaram-se de repente. Olhava-a fixamente, como se na realidade a visse pela primeira vez.
Porque olhava para ela daquela maneira? Porque não se limitava a acabar com ela? Mas a mão férrea sobre o seu ombro estava já a afrouxar. O grunhido animal desaparecera, substituído por uma expressão de perplexidade e assombro. Sentou -se para trás, ajudando-a a sentar-se, sem deixar, nem por um instante, de olhar para o seu rosto.
– Elena – murmurou, a voz a quebrar -se. – Elena, és tu.
Essa é quem sou?, pensou ela. Elena?
Na realidade, não importava. Dirigiu um olhar veloz em direcção ao velho carvalho. Ele continuava ali, de pé por entre as raízes que sobressaíam da terra, a arquejar, apoiando -se na árvore com uma das mãos. Olhava para ela com os olhos infinitamente negros e as sobrancelhas contraídas numa expressão carrancuda.
Não te preocupes, pensou ela. Eu consigo dar conta deste. É estúpido. Depois voltou a atirar -se ao jovem de olhos verdes.
– Elena! – gritou ele enquanto ela o derrubava de costas.
A mão sã empurrou -lhe o ombro, sustendo-a no alto. – Elena, sou
eu, Stefan! Elena, olha para mim!
Ela olhava, e tudo o que via era o pedaço de pele a descoberto do seu pescoço. Voltou a sibilar, o lábio superior a retroceder para lhe mostrar os dentes.
Ele ficou paralisado.
Sentiu como a comoção se reflectia por todo o corpo do jovem, viu que o seu olhar se quebrava. O rosto adquiriu a mesma palidez que teria se alguém lhe tivesse dado um murro no estômago. Sacudiu ligeiramente a cabeça sobre o chão lamacento.
– Não – sussurrou. – Oh, não…
Parecia estar a dizê-lo para si mesmo, como se não esperasse que ela o ouvisse. Estendeu a mão para o rosto dela, que tentou mordê-la.
– Ah, Elena… – murmurou ele.
Os últimos restos de fúria, de desejo animal de matar, tinham-lhe desaparecido do rosto. Tinha os olhos aturdidos, aflitos e entristecidos.
E estava vulnerável. Elena aproveitou o momento para se lançar sobre a carne nua do seu pescoço. Ele levantou o braço para travá-la, para a afastar, mas depois voltou a deixá-lo cair.
Olhou-a fixamente por um instante, com a dor dos seus olhos a atingir um ponto gélido e a seguir simplesmente abandonou-se.
Deixou de lutar por completo.
Ela sentiu como sucedia, sentiu como a resistência abandonava o corpo dele. Ficou deitado sobre o chão gelado com restos de folhas de carvalho no cabelo, olhando para além dela para o céu negro e coberto de nuvens.
«Acaba com ele», disse-lhe a sua voz cansada na mente.
Elena hesitou por um instante. Havia algo naqueles olhos que evocava memórias dentro de si. Estar de pé à luz da Lua, sentada num quarto num desvão… Mas as lembranças eram demasiado vagas. Não conseguia agarrar-se a elas, e o esforço aturdia-a e deixava-a tonta.
E este tinha de morrer, este dos olhos verdes chamado Stefan. Porque magoara -o, ao outro, aquele que era a razão da sua existência. Ninguém podia fazer -lhe mal e continuar vivo.
Cerrou os dentes sobre a garganta dele e mordeu profundamente. Apercebeu-se de imediato que não o fazia como devia. Não alcançara uma artéria ou uma veia. Atacou a garganta, furiosa ante a sua própria inexperiência. Era agradável morder algo, mas não saía muito sangue. Contrariada, levantou a cabeça e voltou a morder, sentindo que o corpo dele dava uma sacudidela de dor.
Muito melhor. Desta vez tinha encontrado uma veia, mas não a rasgara o suficiente. Um pequeno arranhão como aquele não serviria de nada. Do que necessitava era de a rasgar por completo, para deixar que o sangue quente e suculento saísse aos borbotões.
A sua vítima estremeceu enquanto ela trabalhava, os dentes a arranhar e a roer. Começava a sentir a carne a ceder quando umas mãos a puxaram, por trás, fazendo-a levantar -se.
Elena grunhiu sem soltar a garganta. Porém, as mãos eram insistentes.
Um braço rodeou -lhe a cintura, uns dedos enroscaram-se-lhe nos cabelos. Lutou, agarrando-se à sua presa com unhas e dentes.
– Larga-o! Deixa-o!
A voz era seca e autoritária, como uma rajada de vento frio. Elena reconheceu-a e deixou de forcejar com as mãos que a afastavam. Quando a depositaram no chão e ela ergueu os olhos para o ver, surgiu um nome na sua mente. Damon. O nome dele era Damon. Olhou-o fixamente com expressão colérica, ressentida por ter sido arrancada da sua presa, mas obediente.
Stefan estava no chão a soerguer -se, com o pescoço vermelho de sangue, que também corria pela camisa. Elena lambeu os lábios, sentindo uma pontada semelhante a uma guinada de fome mas que parecia ser proveniente de cada fibra do seu ser. Voltava a sentir-se zonza.
– Pareceu -me – disse Damon – que disseste que estava morta.
Olhava para Stefan, que estava ainda mais pálido do que antes, se é que isso era possível. Aquele rosto branco estava cheio de um desespero infinito.
– Olha para ela – foi tudo o que disse.
Com a mão segurou o queixo de Elena, inclinando-lhe o rosto para cima. Ela devolveu directamente o olhar dos olhos escuros e semicerrados de Damon. Depois, uns dedos longos e finos tocaram-lhe nos lábios, sondando entre eles. Instintivamente, Elena tentou morder, mas não com muita força. O dedo de Damon localizou a curva afiada de uma presa e então Elena mordeu, dando uma dentada parecida com a de um gatinho.
O rosto de Damon era inexpressivo, o olhar, duro.
– Sabes onde estás? – perguntou.
Elena olhou em volta. Árvores.
– No bosque – disse com astúcia, voltando a olhar para ele.
– E quem é aquele?
Ela seguiu a direcção que o dedo dele indicava.
– Stefan – respondeu com indiferença. – O teu irmão.
– E quem sou eu? Sabes quem sou?
Ela sorriu-lhe, mostrando os seus dentes afiados.
– Claro que sei. És Damon, e eu amo -te.







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