Dezembro 9, 2009

Drácula, o Morto-vivo: mais um excerto…


drac


Olá, criaturas demoníacas


Eis mais um excerto da sequela de Drácula, para vos abrir o apetite…


Quincey estava de pé, no extenso cais deserto. Um nevoeiro baixo cobria as águas do Canal da Mancha, mas ele ouvia o marulho das ondas a baterem ao de leve nos pilares de madeira. O cenário tranquilo desmentia o rancor que o habitava. Bateu com as botas no chão, esperando que o movimento lhe aquecesse os dedos gélidos dos pés. O casaco, ainda húmido da chuva que caíra durante a tarde, nenhum calor ao corpo lhe trazia. Nem tão pouco o pensamento irado, em turbilhão, lhe podia aquecer a alma.

Uma semana antes, não mais do que isso, o seu caminho parecera-lhe claro e certo. Tinha seguido o coração. Decidira tornar-se actor e produtor, libertando-se, de uma vez por todas, dos desejos do pai. Porém, agora que ele morrera e a mãe se revelara um poço de mentiras, Quincey só conseguia focar-se numa coisa: vingança. Tinha de procurar a fera que lhe levara o pai e, com as suas próprias mãos, destruí-la. Ei-lo numa encruzilhada do destino. Os seus sonhos teriam de esperar.

Consultou o relógio; a escuna atrasara-se. Perscrutou, então, o oceano, sabendo que, antes de o navio chegar, teria de tomar uma decisão. Mas não se via nada para lá do nevoeiro sinistro, cosido à superfície da água. Nem a luz solitária do farol conseguia romper a neblina. Basarab fretara uma escuna para o levar a Inglaterra ao abrigo da noite, evitando assim que multidões de adoradores ou de jornalistas soubessem da sua chegada. As docas estavam vazias de todo o trânsito pedestre. Até o capitão do porto se fora deitar. Quincey estava sozinho.

Olhou, por cima do ombro, para os intimidantes penhascos brancos de Dover, pairando sobre o nevoeiro, e em cuja fachada de pedra manchada de cré se reflectia, lúgubre, o luar. A música lenta da sirene de um navio gemeu sobre as águas e a neblina densa, revolvendo-se, começou a apartar-se. Basarab aproximava-se.

Quincey não detectou movimento no cesto da gávea do mastro principal. Esforçou a vista, procurando sinais de vida, mas, espelhando o seu próprio estado de alma, o navio parecia vir abandonado e à deriva.

À medida que a mancha indefinida se foi decididamente aproximando, a silhueta do navio tornou-se mais visível. A descrição de Stoker do Demeter, no qual Drácula viajara clandestinamente, da Transilvânia para a Inglaterra, aflorou-lhe, inevitável, ao pensamento. Drácula também desejara guardar segredo da sua chegada. O demónio matara sistematicamente todas as pessoas a bordo, até sobrar apenas o comandante do navio. Essa pobre alma fora encontrada amarrada à roda do leme, na ponte de comando, com os dedos entrelaçados num rosário. Stoker descrevera a macabra descoberta do Demeter, encalhado nas margens rochosas de Whitby, com um cão morto por perto. «A sua garganta fora esfarrapada e o ventre rasgado, dir-se-ia, por alguma garra feroz.»

Drácula, o Morto-vivo, Dacre Stoker e Ian Holt.

 

Sonhos negríssmos para todos.



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