Fevereiro 4, 2010

1º capítulo – O Vampiro Secreto, de L. J. Smith



Olá, criaturas cujo nome não podemos dizer


Pois pusémos todo o nosso charme e mandíbulas a trabalhar e, muito sangue depois, conseguimos desencantar o primeiro capítulo de O Vampiro Secreto, primeiro volume da série O Mundo da Noite, de L. J. Smith, que estará à venda para a semana!!!! (algures dia 9 de Fevereiro). Quem não esteve atento, veja aqui a sinopse.


Por isso, já não queremos ouvir suspiros, nem gemidos nem queixumes nem «quando é que publicam o quinto volume de Crónicas Vampíricas?», porque vão ter um Vampiro Secreto para vos entreter, directamente saído da imaginação ebuliente de L. J. Smith.


Gozem bem o passeio pelo Mundo da Noite e, para a semana, cá estaremos para ver em quantas horas leram o livro.


1º CAPÍTULO O VAMPIRO SECRETO, DE L. J. SMITH


Foi no primeiro dia das férias de Verão que Poppy soube que ia morrer.

Aconteceu na segunda?feira, o primeiro dia de férias a sério (o fim?de?semana não contava). Ao acordar, Poppy sentiu?se extraordinariamente leve e pensou: Não há aulas. A luz do Sol entrava a jorros pela janela, transformando as cortinas transparentes da cama numa película dourada. Poppy afastou?as para o lado, saltou da cama? e encolheu?se.

Ai! Outra vez aquela dor no estômago. Uma espécie de gui­nada, como se algo lhe devorasse as entranhas até às costas. Poppy sentia um certo alívio se se dobrasse.

Não, pensou Poppy. Recuso?me a estar doente nas férias de Verão. Recuso?me. O que é preciso é pensar positivo.

Penosamente, curvada ? pensa positivo, idiota! ?, percorreu o corredor até à casa de banho revestida de mosaicos azul?turquesa e dourados. A princípio, julgou que ia vomitar, mas depois a dor

amainou tão de repente como surgira. Poppy endireitou?se, olhou para o espelho e observou o seu reflexo despenteado com um ar triunfante.

? Mete?te comigo, filha, e verás o que te acontece ? disse ela em surdina, com um piscar de olhos conspiratório.

Em seguida, inclinou?se para a frente e examinou os seus pró­prios olhos verdes com um ar desconfiado. Tinha quatro sardas no nariz. Quatro e meia, para ser totalmente honesta, o que era vulgar nela. Que infantil, que? giro! Poppy deitou a língua de fora a si própria e virou as costas ao espelho com uma grande dignidade, sem se dar ao trabalho de pentear os caracóis desgrenhados cor de cobre que lhe enchiam a cabeça.

Manteve a dignidade até chegar à cozinha, onde Phillip, o irmão gémeo, comia flocos Special K. Fez de novo um ar carrancudo, desta vez para ele. Como se não bastasse ser pequena, franzina e ter o cabelo encaracolado ? ou seja, ser parecida com um duende ou com um daqueles seres empoleirados num ranúnculo que se vêem nos livros infantis ilustrados ? ainda por cima tinha um irmão gémeo que era alto, louro como um viquingue e dotado de uma beleza clássica? bem, isto demonstrava uma certa malevolência deliberada na criação do universo, não demonstrava?

? Olá, Phillip ? disse ela, com uma voz repleta de ameaças.

Phillip, que estava habituado aos humores da irmã, não se dei­xou impressionar. Desviou o olhar da secção de banda desenhada do L. A. Times por um momento. Poppy foi obrigada a admitir que ele tinha uns olhos lindos: uns olhos verdes interrogadores, com

umas pestanas muito escuras. Era o único traço que os gémeos tinham em comum.

? Olá ? respondeu Phillip, imperturbável, e voltou à banda desenhada. Poppy não conhecia muitos miúdos que lessem o jornal, mas Phil era assim mesmo, sem tirar nem pôr. Tal como Poppy, concluíra o penúltimo ano no Liceu El Camino e, ao contrário da irmã, fizera logo o exame de admissão à faculdade, ao mesmo tempo que se evidenciara nas equipas de futebol, hóquei e basebol. Além disso, fora chefe de turma. Um dos maiores prazeres de Poppy era arreliá?lo. Considerava?o demasiado escrupuloso.

Nesse momento, Poppy soltou uma risadinha, encolheu os ombros e desistiu do ar ameaçador.

? Onde está o Cliff e a mãe?

Cliff Hilgard, o padrasto de ambos desde há três anos, era ainda mais escrupuloso do que Phil.

? O Cliff foi para o emprego. A mãe está a vestir?se. É melhor comeres alguma coisa ou ela não te larga.

? Sim, sim?

Em bicos de pés, Poppy foi ver o que havia num armário. Encon­trou uma caixa de flocos, enfiou a mão lá dentro e tirou um com todo o cuidado. Comeu?o seco.

Não era assim tão mau ser baixa e parecida com um duende. Deu uns passinhos de dança em direcção ao frigorífico, agitando a caixa dos cereais ao mesmo ritmo.

? Sou um? duende sensual ? cantarolou, batendo com os pés no chão a compasso.

? Não, não és ? disse Phillip com uma calma devastadora. ? E porque não te vestes?

Sem fechar a porta do frigorífico, Poppy mirou?se. Vestia a T?shirt enorme com que dormira. Tapava?lhe o corpo como um vestido muito curto.

? Eu estou vestida ? respondeu ela, serenamente, tirando uma Coca Cola Zero do frigorífico.

Alguém bateu à porta da cozinha. Poppy viu quem era através da rede.

? Olá, James! Entra.

James Rasmussen entrou e tirou os óculos de sol Ray?Ban cola­dos à cara. Ao olhar para ele, Poppy sentiu uma pontada, como sem­pre. O facto de o ver praticamente todos os dias, nos últimos dez anos, nada alterava. Continuava a sentir uma palpitação súbita no peito, algures entre o alívio e a dor, assim que o via todas as manhãs.

Não era apenas a beleza fora de série dele, que lhe fazia sempre lembrar vagamente James Dean. James tinha um cabelo castanho?claro sedoso, um rosto subtil e inteligente e uns olhos cinzentos que alternavam entre a intensidade e a frieza. Era o rapaz mais bonito do Liceu El Camino, mas não era isso, não era a isso que Poppy reagia. Era algo dentro dele, algo misterioso, irresistível e sempre inatingível, que fazia bater depressa o coração de Poppy e lhe provocava um formigueiro na pele.

Phillip sentia de maneira diferente. Assim que James entrou, empertigou?se e fez um ar gélido. O desagrado faiscou entre os dois rapazes como se fosse um choque eléctrico.

James esboçou um sorriso, como se a reacção de Phillip o divertisse.

? Olá.

? Olá ? respondeu Phil, sem quebrar o gelo. Poppy teve a sen­sação de que o irmão gostaria de pegar nela à força e fazê?la sair da cozinha. Phillip exagerava sempre no papel de irmão protector quando James estava presente. ? Então, como vão a Jacklyn e a Michaela? ? perguntou ele, num tom desagradável.

James ficou a pensar.

? Não sei muito bem.

? Não sabes? Ah, pois, largas sempre as tuas namoradas antes das férias de Verão. Isso deixa?te livre para manobrares à tua maneira, não é?

? Evidentemente ? respondeu James, com brandura. Sorriu.

Phillip olhou para ele com um ódio despudorado.

Pela sua parte, Poppy ficou radiante. Adeus, Jacklyn, adeus Michaela. Adeus às pernas compridas e elegantes de Jacklyn e ao peito espantoso e bem fornecido de Michaela. O Verão prometia ser uma maravilha.

Muita gente pensava que a relação de Poppy e James era plató­nica. O que não correspondia à verdade. Há anos que Poppy sabia que casaria com ele. Era uma das suas duas grandes ambições; a outra era conhecer o mundo. Ainda não conseguira transmiti?las a James. Para já, ele continuava a pensar que gostava de raparigas de pernas compridas, com as unhas arranjadas na manicura e sapatos italianos decotados.

? Isso é um novo CD? ? perguntou ela, para lhe distrair as atenções do futuro cunhado.

James sopesou?o.

? É o novo dos Ethnotechno.

Poppy aplaudiu.

? Mais cantores de Tuva com vozes guturais? Não posso espe­rar. Vamos já ouvi?lo.

Mas precisamente nesse momento entrou a mãe. A mãe de Poppy era fria, loura e perfeita, como uma heroína de Alfred Hitch­cock. Em geral, ostentava uma expressão de eficiência desprovida de esforço. Poppy, que ia a sair da cozinha, quase chocou com ela.

? Desculpe? Bom dia!

? Espera aí! ? disse a mãe, agarrando a filha pelas costas da T?shirt. ? Bom dia, Phil. Bom dia, James.

Phil deu os bons?dias e James baixou a cabeça, com uma deli­cadeza eivada de ironia.

? Já todos tomaram o pequeno?almoço? ? perguntou a mãe de Poppy, que olhou para a filha assim que os rapazes responde­ram afirmativamente. ? E tu? ? perguntou, sem tirar os olhos dela.

Poppy abanou a caixa dos flocos e a mãe fez um ar carrancudo.

? Porque não os comes com leite, pelo menos?

? É melhor assim ? respondeu Poppy com firmeza, mas quando a mãe a empurrou para o frigorífico, ela avançou e pegou numa embalagem de dois decilitros e meio de leite magro.

? O que tencionam fazer no vosso primeiro dia de liberdade? ? perguntou a mãe, olhando para James e em seguida para Poppy.15 o vampiro secreto

? Oh, não sei. ? Poppy olhou para James. ? Ouvir música, talvez ir até aos montes? Ou à praia?

? O que te apetecer ? respondeu James. ? Temos o Verão inteiro.

O Verão estendeu?se em frente de Poppy, escaldante, dourado e resplandecente. Cheirava a cloro de piscina e sal marinho; parecia erva quente debaixo das suas costas. Três meses inteirinhos, pensou ela. Era uma eternidade. Três meses eram uma eternidade.

Era estranho que estivesse a pensar nestas coisas quando aquilo aconteceu.

? Podíamos ir dar uma espreitadela às lojas novas do Village? ? disse ela, quando de repente sentiu a dor e perdeu o fôlego.

Foi forte ? um mal?estar profundo e agónico que a obrigou a dobrar?se. A embalagem de leite voou?lhe das mãos e tudo ficou na penumbra.


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