Julho 24, 2010

1º capítulo de Damon: o regresso, Crónicas Vampíricas V

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Queridos vampiros,


Aqui está ele, o muito aguardado princípio de Damon: o regresso, quinto livro de Crónicas Vampíricas, de L. J. Smith, à venda a partir de dia 26 de Julho. Bebam-no até à última letra. E, depois, digam-nos o que acharam.


Prefácio

 

Ste‑fan?

Elena estava frustrada. Não conseguia fazer com que a palavra mental lhe saísse da maneira que queria.

– Stefan – incitou‑a, inclinando‑se sobre um cotovelo e olhando para ela com aqueles olhos que quase sempre a faziam esquecer‑se do que estava a tentar dizer. Brilhavam como folhas verdes à luz do Sol. – Stefan – repetiu. – Consegues dizê‑lo, meu amor?

Elena devolveu‑lhe o olhar solenemente. Ele era tão bonito que lhe par­tia o coração, com as feições pálidas e cinzeladas e com o cabelo escuro a cair‑lhe descuidadamente na testa. Queria transpor para palavras todas as sensações que se amontoavam por detrás da sua língua desastrada e da mente obstinada. Havia tantas coisas que precisava de lhe perguntar… e de lhe dizer. Mas os sons ainda não saíam. Enrolavam‑se‑lhe na língua. Nem sequer os conseguia fazer chegar a ele por via telepática – apenas surgiam imagens fragmentadas.

Afinal de contas, era apenas o sétimo dia da sua nova vida.

Stefan disse‑lhe que quando ela acordou, quando regressou do Outro Lado depois de ter morrido como vampira, tinha sido capaz de andar e falar e fazer todo o tipo de coisas que agora parecia ter esquecido. Ele não sabia por que ela as esquecera – nunca ouvira falar de alguém que regres­sasse da morte excepto os vampiros, como Elena fora, mas que de certeza já não era.

Stefan também lhe disse, animadamente, que ela estava a aprender bastante depressa todos os dias. Novas imagens, novas palavras mentais. Apesar de algumas vezes ser mais fácil para ela comunicar do que outras, Stefan estava certo de que dentro em breve ela voltaria a ser ela mesma. Então agiria como a jovem que realmente era. Já não seria uma jovem adulta com uma mentalidade de criança, tal como os espíritos pretendiam claramente que ela fosse: crescer, ver o mundo com novos olhos, os olhos de uma criança.

Elena pensou que os espíritos tinham sido um tanto injustos. E se entre­tanto Stefan encontrasse alguém que soubesse andar e falar – e até mesmo escrever? Elena preocupava‑se com isto.

Fora por essa razão que, algumas noites antes, Stefan acordou e desco­briu que ela tinha saído da cama. Encontrara‑a na casa de banho, agarrada ansiosamente a um jornal, a tentar retirar algum sentido dos caracteres que ela sabia serem palavras que em tempos reconhecera. O jornal estava cheio de marcas das suas lágrimas. Os caracteres não tinham qualquer significado para ela.

– Mas porquê, meu amor? Vais aprender a ler novamente. Porquê a pressa?

Isso foi antes de ele ver os pedaços do lápis, partido por ter sido agar­rado com demasiada força, e os guardanapos de papel cuidadosamente amontoados. Elena estivera a usá‑los para tentar imitar as palavras. Se ela conseguisse escrever como as outras pessoas, talvez Stefan deixasse de dormir na cadeira e se abraçasse a ela na cama grande. Não iria à procura de alguém mais velho ou mais esperto. Ele saberia que ela era crescida.

Ela viu como Stefan associou tudo isto devagarinho na sua mente, e viu as lágrimas a assomarem‑lhe aos olhos. Fora levado a pensar que não lhe era permitido chorar em circunstância alguma. Contudo, virou‑se de costas para ela e respirou lenta e profundamente durante o que pareceu bastante tempo.

E depois pegou nela, levando‑a para a cama no seu quarto e olhou‑a nos olhos, dizendo:

– Elena, diz‑me o que queres que faça. Mesmo que seja impossível, eu faço‑o. Eu juro. Diz‑me.

Todas as palavras que ela queria pensar para ele estavam ainda encra­vadas dentro dela. Os olhos deixaram rolar as lágrimas, que Stefan afastou com os dedos, como se fosse arruinar um quadro valiosíssimo se lhe tocasse com demasiada força.

Então Elena ergueu o rosto, fechou os olhos e franziu ligeiramente os lábios. Queria um beijo. Mas…

– Neste momento, és apenas uma criança na tua mente – disse Stefan, agonizante. – Como poderia aproveitar‑me de ti?

Havia uma linguagem gestual que eles tinham na vida antiga, da qual Elena ainda se lembrava. Ela dava toques por debaixo do queixo, ali no sítio mais suave: um, dois, três.

Significava que interiormente ela se sentia desconfortável. Como se tivesse a garganta demasiado cheia. Queria dizer que ela queria…

Stefan resmungou.

– Não posso…

Tum‑tum‑tum…

– Ainda não voltaste a ser como eras antes…

Tum‑tum‑tum…

– Ouve‑me, amor…

TUM! TUM! TUM! Ela olhou para ele com olhos suplicantes. Se conse­guisse falar, ter‑lhe‑ia dito: Por favor, dá‑me algum crédito – não sou com­pletamente estúpida. Por favor, ouve aquilo que não te consigo dizer.

– Estás a sofrer. Estás a sofrer mesmo muito – foi o que Stefan interpre­tou, com alguma resignação. – Se… se eu… se ao menos eu pudesse pegar num bocadinho…

E de repente os dedos de Stefan eram suaves e seguros, movendo‑lhe a cabeça, erguendo‑a, virando‑a no ângulo exacto, e então ela sentiu as den­tadas gémeas, que a convenceram mais do que qualquer outra coisa de que ela estava viva e que já não era um espírito.

E nesse momento ela tivera a certeza absoluta de que Stefan a amava a ela e não a outra pessoa, e que podia dizer a Stefan algumas das coisas que queria. Mas teria de as dizer em pequenas exclamações – não de dor – com estrelas e cometas e feixes de luz a caírem em volta dela. E fora Stefan quem não conseguira formar uma única palavra mental para ela. Fora Stefan quem emudecera.

Elena sentiu que era justo. Depois disso, ele abraçara‑a durante a noite e ela sentira‑se sempre feliz. 

 

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