Maio 14, 2010

1º Capítulo de A Escolhida – O Mundo da Noite III



Queridos filhos da noite,

 

 

Para os fãs de O Mundo da Noite que andam por aí, o primeiro capítulo de A Escolhida, terceiro volume da saga O Mundo da Noite, de L. J. Smith. Quem não esteve atento, pode consultar a sinopse aqui.

 

Entretanto, gostávamos de saber se este excerto vos aguçou o apetite, o que esperam desta nova história e se já anseiam por saber que regras do Mundo da Noite vão ser transgredidas, por quem e porquê. E, já agora, a capa seduz-vos? Nós achamos que este olhar esverdeado é capaz de semear o caos…

 

 

 1º CAPÍTULO DE A ESCOLHIDA – O MUNDO DA NOITE III, de L. J. SMITH

 

Aconteceu na festa de aniversário de Rashel, no dia em que ela fez cinco anos.

? Podemos ir para os tubos? ? O aniversário tinha lugar num centro de festas que possuía a maior estrutura de tubos de escalada e escorregas que alguma vez vira.

A mãe sorriu.

? Está bem, gatinha, mas toma conta do Timmy. Ele não é tão rápido como tu.

Foram as últimas palavras que a mãe lhe dirigiu.

No entanto, não era preciso dizer -lhas. Ela tomava sempre conta de Timmy: ele era um mês mais novo do que ela, e nem sequer ia para o jardim-de-infância no próximo ano. Tinha cabelo preto sedoso, olhos azuis e um sorriso muito doce. Rashel também tinha cabelo preto, mas os olhos eram verdes, verdes como esmeraldas, dizia sempre a mamã. Verdes como os de um gato.

Ao subirem pelos tubos ela ia olhando para ele lá atrás e quando chegaram a uma longa fila de escorregadias escadas forradas a vinilo, onde era fácil deslizar, estendeu-lhe a mão para o ajudar a subir.

Timmy ofereceu-lhe um sorriso radiante, os olhos azuis brilhando de adoração. Quando ambos rastejaram até ao cimo das escadas, Rashel largou-lhe a mão.

Ela dirigia-se para a teia de aranha, uma sala grande inteiramente feita de corda e rede. Espreitava com frequência por uma das janelas tipo aquário num dos tubos e via a mãe a acenar -lhe de baixo. Mas então apareceu outra mãe a falar com a dela e Rashel parou de olhar. Os pais nunca pareciam capazes de falar e acenar ao mesmo tempo.

Concentrou-se em atravessar os tubos, que cheiravam a plástico com uma sugestão de meias velhas. Fingiu que era um coelho num túnel. E foi deitando o olho a Timmy até chegarem à base da teia de aranha.

Ficava distante nas traseiras da estrutura de escalada. Não havia outros miúdos por perto, grandes ou pequenos, e quase nenhum barulho. Uma corda branca com nós a intervalos regulares estendia-se acima de Rashel, subindo e subindo, conduzindo à própria teia.

? Está bem, tu ficas aqui, e eu vou lá acima ver como se faz ? disse a Timmy. Isto era uma espécie de finta. A verdade era que ela não pensava que Timmy conseguisse chegar lá acima e, se esperasse por ele, nenhum deles subiria.

? Não, não quero que vás sem mim ? disse Timmy. Havia um toque de ansiedade na voz dele.

? Vai só levar um segundo ? disse Rashel. Ela sabia do que ele tinha medo, e acrescentou:

? Não vai aparecer nenhum miúdo grande para te empurrar.

Timmy ainda parecia na dúvida. Rashel disse atenciosamente:

? Não queres bolo de gelado quando voltarmos a minha casa?

Nem sequer era uma ameaça velada. Timmy pareceu confuso, depois suspirou pesadamente e assentiu.

? Está bem. Eu espero.

E essas foram as últimas palavras que Rashel o ouviu dizer.

Trepou pela corda. Era ainda mais difícil do que pensou que seria, mas quando chegou ao cimo foi maravilhoso. Todo o mundo era uma massa ondulada de rede em movimento. Tinha de se segurar com ambas as mãos para manter o equilíbrio e tentar encaracolar os pés à volta dos troços trepidantes de cabo. Podia sentir o ar e a luz do Sol. Riu de excitação e balançou -se, olhando para os tubos de plástico colorido em redor.

Quando olhou para baixo à procura de Timmy, ele desaparecera.

O estômago de Rashel ficou tenso. Ele tinha de estar ali. Prometera esperar.

Mas não estava. Dali podia ver toda a sala almofadada por baixo da teia de aranha, e estava vazia.

Está bem, ele deve ter voltado pelos tubos. Rashel fez o caminho de regresso, balançando e cambaleando, de uma pega para a outra até chegar à corda.

Depois desceu com rapidez e enfiou a cabeça num tubo, pestanejando na luz difusa.

? Timmy? ? A voz era um eco amortecido. Não houve resposta e o que conseguia ver do tubo encontrava-se vazio.

? Timmy?

Rashel estava a ficar com o estômago às voltas. Na sua cabeça, não parava de ouvir a mãe dizer «toma conta do Timmy». Mas não tomara conta dele. E agora podia estar em qualquer lado, perdido na estrutura gigante, talvez a chorar, talvez a ser empurrado de um lado para o outro por miúdos grandes. Talvez mesmo a ir contar à mãe.

Foi então que viu a abertura na sala almofadada.

Era apenas suficientemente grande para permitir a passagem de uma criança de quatro anos ou uma criança de cinco anos muito magra. E Rashel soube imediatamente que Timmy fora por ali. Era mesmo dele escolher o caminho mais curto para a saída. Ia com certeza ao encontro da mãe nesse momento.

Rashel era uma criança de cinco anos muito magra. Contorceu-se pela abertura, ficando presa apenas uma vez. Depois encontrou-se no exterior, sem fôlego nas sombras poeirentas.

Estava prestes a dirigir -se para a frente da estrutura de escalada quando notou a aba da tenda a bater.

A tenda era feita de vinilo brilhante e as suas riscas vermelhas e amarelas eram muito mais brilhantes do que os tubos de plástico.

A aba solta ondulou com a brisa e Rashel viu que bastava a qualquer pessoa levantá-la e entrar.

Timmy não teria entrado ali, pensou. Não seria mesmo nada dele. Mas de qualquer maneira Rashel tinha um estranho pressentimento.

Fitou a aba, hesitando, cheirando a poeira e pipocas no ar.

Eu sou valente, disse a si mesma, e avançou entrando de lado. Empurrou a tenda ao lado da aba para alargar a abertura, e esticou o pescoço para espreitar lá para dentro.

Estava demasiado escuro para ver alguma coisa, mas o cheiro a pipocas era mais forte. Rashel foi mais e mais longe até se encontrar no interior da tenda. E então os olhos ajustaram-se e percebeu que não estava sozinha.

Estava um homem alto na tenda. Vestia uma comprida gabardina de cor clara, apesar de estar calor lá fora. Pareceu não dar por Rashel porque tinha qualquer coisa nos braços e a cabeça estava dobrada para essa coisa, e estava a fazer -lhe algo.

E então Rashel viu o que ele estava a fazer e soube que os adultos mentiram ao dizerem que os ogres e os monstros e as coisas dos contos de fadas não eram reais.

Porque o homem alto tinha Timmy e estava a comê-lo.

 

 

NESTE FIM-DE-SEMANA, AQUI NO BLOG, GRANDE FINAL DE TEMPORADA DA SÉRIE DIÁRIOS DO VAMPIRO.


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