Setembro 24, 2009

1º Capítulo de A Cidade dos Ossos


Olá, criaturas sanguinárias



Como prometido, trago-vos, em primeira mão, um excerto do primeiro capítulo de A Cidade dos Ossos, de Cassandra Clare. Preparem-se para um mergulho na discoteca Pandemónio, o lugar onde começa a estranha história de Clare Fray e onde o mundo, tal como ela o via, deixa de existir. Este primeiro excerto é uma primeira viagem ao submundo de vampiros e Caçadores de Sombras de A Cidade dos Ossos. Aproveitem-na e segurem-se, porque a viagem pode ser atribulada! Ficamos ansioso por saber a vossa opinião!


Amanhã, aqui no blog, terceiro episódio de Vampire Diaries – Friday Night Bites (Dentadas de Sexta à Noite)


Excerto do primeiro capítulo de A Cidade dos Ossos, de Cassandra Clare

 

? Deves estar a brincar comigo ? disse o segurança, cruzando os braços no peito maciço. Baixou os olhos para o rapaz de blusão vermelho e abanou a cabeça rapada. ? Não podes trazer essa coisa para aqui.

Os cinquenta e tal adolescentes que faziam fila à porta da Discoteca Pandemónio inclinaram?se para ouvir melhor. Era uma longa espera entrar naquela discoteca para todas as idades, especialmente ao domingo, e, em geral, a bicha pouco se movia. Os seguranças eram ferozes e ameaçavam imediatamente quem parecesse querer armar sarilho. Clary Fray, de quinze anos de idade, acompanhada pelo seu melhor amigo, Simon, inclinou?se juntamente com os demais à espera de um pouco de excitação.

? Vá lá. ? O miúdo levantou a coisa por cima da cabeça. Parecia uma estaca de madeira pintada numa ponta. ? Faz parte do meu traje.

O segurança franziu o sobrolho.

? Vens vestido de quê?

O rapaz sorriu. O seu aspecto era suficientemente normal. Para entrar no Pandemónio, pensou Clary. Tinha cabelo azul?eléctrico arrepiado à volta da cabeça como os tentáculos de um polvo espantado, mas nenhuma tatuagem no rosto nem peças metálicas enfiadas nas orelhas ou nos lábios.

? De caçador de vampiros. ? Apoiou a coisa de madeira no chão e esta vergou tão facilmente como uma erva. ? Não é verdadeira. É de borracha. Está a ver?

Os grandes olhos do rapaz eram de um verde demasiado brilhante, repa­rou Clary, da cor de anticongelante, de erva na Primavera. Provavelmente eram lentes de contacto coloridas. O segurança encolheu os ombros, brus­camente farto.

? Tanto faz. Entra lá.

O rapaz passou por ele, rápido como uma enguia. Clary gostou do movi­mento dos seus ombros, da forma como o cabelo ondulava ao andar. Havia uma palavra que a mãe dela teria usado ? insouciant.

? Achaste?o giro ? disse Simon em tom resignado. ? Não achaste?

Clary deu?lhe uma cotovelada nas costelas, mas não respondeu.

O interior estava cheio de fumo frio e seco. Luzes coloridas iluminavam a pista de dança, transformando?a num reino feérico e multicolorido de azuis e verdes ácidos, tons rosados quentes e dourados.

As mãos do rapaz de blusão vermelho acariciaram a longa estaca afiada como um punhal, um sorriso ocioso a brincar?lhe nos lábios. Tinha sido tão fácil ? uma ponta de magia na estaca para fazê?la parecer inofensiva. Outra ponta de encanto nos olhos e, no momento em que o segurança o tinha olhado de caras, ele já lá estava dentro. Claro que podia provavel­mente ter passado sem tanto trabalho, mas fazia parte da diversão ? enga­nar os mundis, fazer tudo às claras mesmo diante deles, safar?se perante o olhar inexpressivo das suas caras de carneiro.

Não que os humanos não tivessem a sua utilidade. Os olhos verdes do rapaz percorreram a pista de dança onde membros esguios vestidos de seda e cabedal preto apareciam e desapareciam no interior das rodopiantes volu­tas de fumo enquanto os mundis dançavam. As raparigas agitavam os longos cabelos, os rapazes balançavam as ancas vestidas de cabedal e a pele nua reluzia de suor. A vitalidade escorria?lhes dos poros, ondas de energia que o entonteciam como se estivesse embriagado. Retorceu os lábios. Não sabiam a sorte que tinham. Não sabiam o que era sobreviver num mundo morto onde o Sol pendia inerte como cinza. As suas vidas ardiam com tanto brilho como as chamas de uma vela e eram igualmente fáceis de apagar.

A sua mão apertou a estaca que transportava. Encaminhava?se para a pista quando uma rapariga se separou da gente que dançava e começou a andar na direcção dele. Fitou?a. Para ser humano, era linda ? cabelo com­prido quase da cor de tinta preta, olhos pintados com carvão. Vestido branco até aos pés, do género que as mulheres costumavam usar quando este mundo era mais jovem. Mangas rendadas e largas envolviam?lhe os braços esguios.

À volta do pescoço, uma grossa corrente de prata com um pendente vermelho?escuro do tamanho de um punho de bebé. Teve apenas de fran­zir os olhos para ver que era verdadeiro ? verdadeiro e precioso. A saliva humedeceu?lhe a boca quando ela se aproximou. A energia vital pulsava nela como o sangue de uma ferida. Sorriu ao passar por ele, fazendo?lhe um sinal convidativo com os olhos. Virou?se para a seguir, saboreando o crepitar fantasmagórico da morte dela nos seus lábios.

Era sempre fácil. Já sentia a evaporação da vida dela a correr nas suas veias como fogo. Os humanos eram tão estúpidos. Possuíam algo de tão precioso e mal o protegiam. Desperdiçavam a vida por dinheiro, pelo sorriso encan­tador de um estranho. A rapariga era um fantasma pálido a afastar?se do fumo colorido. Chegou à parede e virou?se, arregaçando a saia com as mãos e sorrindo?lhe. Calçava botas até às coxas por debaixo da saia.

Ele aproximou?se lentamente, sentindo a pele eriçar?se pela proximidade dela. De perto, não era tão perfeita: notava?se a maquilhagem borrada por baixo dos olhos e o cabelo colado ao pescoço pelo suor. Conseguia cheirar a sua mortalidade, a doce podridão da corrupção. Apanhei?te, pensou.

Um sorriso calmo revirou os lábios dela. Afastou?se então para o lado e ele percebeu que ela estava encostada a uma porta fechada. entrada proi­bida ? armazém estava garatujado a tinta vermelha. A rapariga estendeu a mão atrás das costas para alcançar a maçaneta da porta, rodou?a e entrou. Ele viu de relance caixas empilhadas e rolos de fios eléctricos emaranhados. Olhou por cima do ombro ? ninguém estava a ver. Se ela desejava privaci­dade, tanto melhor.

Seguiu?a, sem reparar que estava a ser observado.

(…)

? Como é que te chamas?

Ela virou?se e sorriu. A pouca luz que iluminava a sala de arrumações entrava pelas altas e poeirentas janelas com grades. Montes de cabos eléc­tricos juntamente com pedaços partidos de bolas espelhadas de discoteca e latas de tinta vazias juncavam o chão.

? Isabelle.

? Bonito nome. ? Ele aproximou?se, avançando cuidadosamente por entre os fios para o caso de estes ainda estarem activos. À luz bruxuleante, ela parecia transparente; sem cor, envolta de branco como um anjo. Seria um prazer provocar?lhe a queda? ? Nunca te vi por aqui.

? Estás a perguntar?me se venho cá muitas vezes? ? Soltou um risinho, tapando a boca com a mão. Tinha uma espécie de pulseira no braço, mesmo por baixo do punho da manga? mas, ao aproximar?se, viu que não era uma pulseira, mas uma tatuagem no pulso, uma matriz de linhas sinuosas.

Deteve?se.

? Tu?

Não terminou. Ela moveu?se com a rapidez de um relâmpago, acertan-do?lhe com a mão aberta, um golpe no peito que lhe tiraria o fôlego se ele fosse um ser humano. Cambaleou. Agora, havia algo na mão da rapariga, um chicote ondulante que faiscou com reflexos dourados quando ela o abateu, enrolando?lhe os tornozelos e desequilibrando?o. Caiu no chão, contorcendo?se, o odiado metal entranhando?se na carne. De pé por cima do rapaz, ela soltou uma gargalhada e ele, meio atordoado, pensou que deveria ter?se apercebido. Nenhuma humana usaria um vestido como o dela. Vestia?o para tapar a pele ? toda a pele.

Isabelle puxou o chicote com força e o seu sorriso cintilou como água venenosa.

? É todo vosso, rapazes.

Um riso surdo soou atrás dele; mãos agarraram?no, pondo?o de pé e atirando?o contra uma das colunas de cimento. Sentiu a pedra húmida nas costas. Puxaram?lhe os braços para trás e amarraram?lhe os pulsos com fios eléctricos. Enquanto se debatia, alguém deu a volta à coluna e surgiu no seu campo de visão: um rapaz tão jovem e bonito como Isabelle. Os seus olhos de animal feroz brilhavam como âmbar.

? Então ? perguntou. ? Há muitos mais contigo?

O rapaz de cabelo azul sentiu o sangue a pulsar por debaixo dos fios demasiado apertados, tornando os pulsos escorregadios.

? Mais o quê?

? Vá lá. ? O rapaz com olhos de animal feroz ergueu as mãos e as man­gas escuras escorregaram, revelando caracteres rúnicos1 nos pulsos, nas costas e nas palmas das mãos. ? Sabes quem sou.

No fundo do crânio, a segunda dentadura do rapaz amarrado começou a ranger.

? Um Caçador de Sombras ? silvou por entre os dentes.

Um sorriso estampou?se no rosto do outro.

? Apanhei?te ? disse.






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