Outubro 6, 2010

1º Capítulo de A Caçadora – O Mundo da Noite IV

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Olá, vampiros


Fãs de O Mundo da Noite, a grande data aproxima-se: a partir de 14 de Outubro, A Caçadora chegará às livrarias de todo o país, espalhando o caos, a noite e o terror. Como sempre, queremos ver-vos sofrer, por isso, trouxémos o primeiro capítulo. Leiam e ponham-se a contar os dias até lá!


A CAÇADORA – O MUNDO DA NOITE IV, DE L. J. SMITH


Capítulo 1


– É simples – disse Jez na noite da última caçada da sua vida. – Tu corres. Nós perseguimos. Se te apanharmos, morres. Damos te três minutos de avanço.
À frente dela, o líder do gangue skinhead não se mexeu. O seu rosto parecia de plasticina e tinha olhos de tubarão. De pé, estava tenso, tentando parecer duro, mas Jez observou um pequeno estre¬meção nos seus músculos da perna.
Jez sorriu lhe, num relâmpago.
– Pega numa arma – disse ela. Tocou com a ponta do pé no monte que estava no chão. Havia ali bastante material: armas, facas, tacos de basebol, até lanças e estacas. – Olha, leva mais do que uma. Leva quantas quiseres. São as minhas regras.
Houve risos abafados atrás dela e Jez pôs lhes fim com um gesto firme. Fez se então silêncio. Os dois gangues permaneceram frente a frente, seis bisarmas de cabeça rapada de um lado e o gangue de Jez do outro. Só que os que estavam com Jez não eram propria-mente membros normais de um gangue.
Os olhos do líder skinhead moveram se em direcção ao monte. Então, num gesto súbito, fez aparecer alguma coisa na sua mão.
Uma arma, claro. Andam sempre com armas. Esta arma em particular era do tipo das que, hoje em dia, não se compram legal¬mente na Califórnia, uma arma de assalto de grande calibre, semi-automática. O skinhead levantou a e apontou a na direcção de Jez.
Jez atirou a cabeça para trás e riu se.
Toda a gente estava a olhar para ela – e isso foi uma delícia. Ela era fantástica e sabia disso.
Mãos nas ancas, o cabelo ruivo caía lhe sobre os ombros e alongava se pelas suas costas, o rosto, bem definido, empinado para o céu – sim, ela era óptima. Alta, orgulhosa, feroz… e muito bonita. Ela era Jez Redfern, a Caçadora.
Baixou o queixo e fixou o líder do gangue com uns olhos que não eram prateados nem azuis, mas de uma cor entre aquelas duas. De uma cor que ele nunca poderia ter visto antes, pois nenhum humano tinha olhos como aqueles.
Ele não entendeu o mote. Não parecia o tipo mais brilhante do mundo.
– Persegue isto – disse ele e disparou a arma.
Jez moveu se no último instante. Não que o metal a tivesse ferido gravemente se lhe atravessasse o peito, mas poderia fazê la cair para trás e ela não queria que isso acontecesse. Acabara de tirar a liderança do gangue a Morgead e não queria mostrar qualquer fraqueza.
A bala atravessou lhe o braço esquerdo. Houve uma pequena explosão de sangue e uma intensa sensação de dor no momento em que fracturou o osso, antes de o atravessar. Jez franziu os olhos, mas aguentou o sorriso.
Olhou, então, de relance para o braço e o sorriso desapareceu, num assobio. Nem reparara nos danos causado na manga. Nela havia agora um buraco sangrento. Por que nunca pensava ela nestas coisas?
– Sabes quanto custa o cabedal? Sabes quanto custa um blusão North Beach? – Avançou para o líder skinhead.
Ele piscava os olhos e respirava aceleradamente. Tentava per¬ceber como se movera ela tão depressa e por que razão não estava a gritar, em agonia. Apontou a arma e disparou outra vez. E outra vez ainda, cada vez mais selvaticamente.
Jez desviou se. Não queria mais buracos. A carne do braço já estava a sarar, a ferida a fechar se e a criar uma pele macia por cima. Pena que não acontecesse o mesmo ao blusão. Alcançou o skinhead sem que fosse de novo atingida e agarrou o pela frente do blusão verde e preto da Força Aérea. Ergueu o apenas com uma das mãos, até a ponta de aço das suas botas Doc Marten se ter separado do solo.
– É melhor correres, rapaz – disse ela. E, então, atirou o.
Ele navegou pelo ar ao longo de uma distância notável até bater numa árvore. Tentou subi la à pressa, mostrando, aterrorizado, o branco dos olhos, o peito ofegante. Olhou para ela, olhou para o seu gangue e começou a correr pelo meio das árvores.
Os outros membros do gangue ficaram a olhar para ele durante um momento, antes de mergulharem em direcção ao monte de armas. Jez observou os, de cenho franzido. Tinham acabado de ver como as balas eram eficazes contra pessoas como ela, e, ainda assim, iam buscar as armas, passando por facas de bambu rachado per¬feitamente boas, flechas de teixo e uma magnífica vara de pau serpente.
As coisas ficaram, então, um pouco barulhentas durante um certo tempo, quando os skinheads se levantaram do monte e come¬çaram a disparar. O gangue de Jez desviou se com facilidade, mas uma voz exasperada soava na cabeça de Jez.
Já podemos ir atrás deles? Ou queres te exibir um pouco mais?
Olhou de relance para trás. Morgead Blackthorn tinha dezas¬sete anos, um ano mais do que ela, e era o seu pior inimigo. Era vaidoso, temperamental, teimoso e sedento de poder – e em nada ajudava que estivesse sempre a dizer que ela também era todas aquelas coisas.
– Eu disse lhes que tinham três minutos – disse ela em voz alta. – Queres que falte à minha palavra?
E nesse instante, enquanto lhe rosnava, esqueceu se de dar atenção às balas
Quando deu por si, Morgead estava a empurrá la para trás. Ficou em cima dela. Alguma coisa zumbiu sobre ambos e atingiu uma árvore, pulverizando pedaços de tronco.
Os olhos verdes de Morgead brilharam na direcção dos seus.
– Mas… eles… não… estão a correr – disse ele num tom exa¬geradamente paciente. –No caso de não teres dado por isso.
Ele estava demasiado próximo e as suas mãos estavam assentes de ambos os lados da cabeça dela. Sentia lhe o peso em cima de si. Jez pontapeou o, furiosa com ele e horrorizada consigo própria.
– Esta é a minha jogada. Fui eu que pensei nela. Vamos jogá la à minha maneira! – gritou ela.
Os skinheads estavam, de qualquer modo, a dispersar. Tinham por fim percebido que era inútil dispararem. Corriam, indo embater nos fetos.
– É agora! – disse Jez. – Mas o chefe é meu.
Ouviu se um coro de clamores e gritos de caça da parte do seu gangue. Val, o maior e sempre o mais impaciente, partiu em pri¬meiro lugar, gritando algo como «Iááááááá».          A seguir foram Thistle e Raven, o alourado rapaz esguio e a rapariga alta e morena, juntos como sempre. Pierce conteve se, fixando o olhar frio numa árvore, dando à sua presa a ilusão de conseguir escapar.
Jez não olhou para ver o que estava Morgead a fazer. Por que se interessaria ela?
Partiu na direcção que o líder skinhead tomara. Mas não seguiu exactamente pelo caminho dele. Foi pelo meio das árvores, sal¬tando de pau brasil em pau brasil. As sequóias gigantes eram as melhores; tinham os ramos mais grossos, apesar de as enormes saliências de pau brasil ao longo da costa serem também bons pontos de apoio. Jez saltava e agarrava se e tornava a saltar, por vezes dando piruetas acrobáticas quando apanhava um ramo a jeito, apenas pelo gozo.
Ela adorava Muir Woods. Mesmo apesar de a floresta em redor ser mortal – ou talvez por isso mesmo. Gostava de correr riscos. E o local era maravilhoso: o silêncio de catedral, o verde musguento, o odor resinoso.
Na última semana, tinham caçado sete membros do gangue ao longo de Golden Gate Park. Fora divertido, mas não uma ocasião com privacidade, e não tinham podido deixar os humanos ripostar muito. No parque, os tiros teriam chamado as atenções. A escolha de Muir Woods fora ideia de Jez – poderiam raptar os membros do gangue e levá los para lá, onde ninguém os incomodaria. Dar lhes iam armas. Seria uma caçada a sério, realmente perigosa.
Jez acocorou se num ramo para recuperar o fôlego. Não havia suficiente perigo real no mundo, pensou ela. Não como nos velhos tempos, quando ainda havia caçadores de vampiros em Bay Area. Os pais de Jez haviam sido mortos por caçadores de vampiros. Mas, agora, que estes tinham sido todos eliminados, já nada havia que fosse verdadeiramente assustador…
Imobilizou se. Houve um estalar quase inaudível de agulhas de pinheiros à sua frente. De imediato, estava de novo em acção, saltando sem medo do ramo para o espaço e aterrando, de joelhos dobrados, no macio tapete de agulhas. Voltou se e ficou frente a frente com o skinhead.
– Olá – disse ela.

ESTE FIM-DE-SEMANA, «KILL OR BE KILLED», EPISÓDIO 5 DA 2ª TEMPORADA DA SÉRIE DIÁRIOS DO VAMPIRO, AQUI NO BLOG.



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